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SESSÃO DUPLA DO COMODORO DE FEVEREIRO DE 2005 - I
A NOITE PÂNICA
SESSÃO DUPLA DO COMODORO
02 de fevereiro de 2005
A Sessão Dupla do Comodoro, de fevereiro, será inteiramente dedicada ao movimento "Pânico", de Fernando Arrabal, Roland Topor e Alejandro Jodorowsky. Esta é uma rara oportunidade de conhecer os dois filmes que deram visibilidade mundial a uma das manifestações culturais mais expressivas e radicais do nosso tempo.
Serão exibidos: "Viva La Muerte", de Fernando Arrabal e "Fando e Lys", de Alejandro Jodorowsky.
As sessões começam às 21.30, no CineSesc, e as senhas gratúitas estarão à disposição à partir das 21.00 horas na bilheteria do cinema.
VIVA LA MUERTE (1970)

França / Tunísia - 87 minutos - colorido
- em francês com legendas em inglês -
Direção: Fernando Arrabal
Roteiro: Fernando Arrabal e Claudine Lagrive (baseado na autobiografia de Arrabal, "Baal Babilônia")
Produtores: Hassen Daldoul e Jean Velter
Música Original: Jean-Yves Bosseur
Fotografia: Jean-Marc Ripert
Montagem: Laurence Leininger
Elenco: Núria Espert, Mahdi Chaouch, Anoek Ferjac, Ivan Henriques
Sinopse
Em uma cidade espanhola, uma família composta da avó, a mãe e uma tia, o garoto Fando, durante a guerra civil, assiste o pai republicano ser preso e condenado à morte e, posteriormente, à prisão perpétua. Fando descobre que a própria mãe havia denunciado o pai e, aos poucos, inicia o calvário de se libertar de seu amor excessivo, edipiano, pela mãe e do universo matriarcal e reacionário da própria casa e país.

Informações
Filme de estréia do dramaturgo Fernando Arrabal, inspirado em sua autobiografia "Baal Babilônia". Arrabal traz para o cinema a essência do "Movimento Pânico", que ele fundou com Roland Topor e Alejandro Jodorowsky. O "Pânico" propunha uma arte construída de desespero, dor, esperma, fezes e sangue. As imagens de "Viva La Muerte" foram assumidamente inspiradas em Jerome Bosch, Valdes Leal e Bruegel. Arrabal fez questão de subverter as cores do filme, através do uso do negativo 35 mm e do posterior processamento em vídeo (numa ousada experimentação técnica pré-digital pioneira) várias vezes, o que dá ao filme uma aura de vanguardismo raro muito além das influências surrealistas (Arrabal viveu três anos uma intensa experiência de vida com André Breton, Magritte, Buñuel e, sobretudo, Salvador Dali). O título "Viva La Muerte" é uma atrevida resposta ao filósofo Miguel Unamuno. Os letreiros de apresentação são sobrepostos às pinturas oníricas e fesceninas de Roland Topor (o autor de "O Inquilino", livro que inspirou o melhor filme de Roman Polanski). Moravia, Duchamp, Mandiargues e Mauriac foram alguns dos maiores entusiastas de "Viva La Muerte".

Opiniões
"L'avere stabilito un rapporto dialettico tra i mostri dell'inconscio e la vita morale mi pare uno dei meriti principali di questo film eccezionale." - Alberto Moravia
"The film is full of frenzy. It was created by someone with a furious imagination. The bull slaughter scene is a masterful surrealist sequence. It is a remarkable film and essential viewing for anyone interested in surrealism." (Chaotic Cinema)
"The film, almost as bloody and revolting as war and betrayal, is the testament of one of those children. In a bleak land inured to poverty and despair, Fando encounters cruelty everywhere. The schoolboys cut up insects, the bigger boys beat him for being the son of a Red, his sexually attractive Aunt Klara begs him to flagellate her, his grand-mother taunts him for his fear of the dark...The squeamish walked out when it was shown at the film festival in 1971. But for those of us who have never directly felt the brutality of war, the obscenity of Arrabal's images was a revelation of nightmares we have been spared." (Judy Stone, SF Chronicle)
"Viva la Muerte is a paroxysm of anguish, a scream for liberty and probably one of the most ferocious, violent films ever made. Reminiscent of Bunuel and Kozinsky, it mingles, in hallucinatory images, the realities and nightmares or a 12 year-old boy growing into manhood at the moment of Franco's victory. Every few minutes it veers from uncertain realism into the boy's imagination, beset by monstrous tortures, violence, death, and a primitive sadism that engulfs the spectator precisely because it does not impose upon, but merely activates his own atavistic, subconscious fears and desires." (Amos Vogel)
Escrito por Carlos Reichenbach às 15h04
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SESSÃO DUPLA DO COMODORO DE FEVEREIRO DE 2005 - II
FANDO Y LIS (1967)

México - 96 minutos - branco e preto
- em espanhol com legendas em inglês -
diretor: Alejandro Jodorowsky
roteiro: Fernando Arrabal e Alejandro Jodorowsky, adaptação de uma obra para teatro de Fernando Arrabal
produtores: Juan López Moctezuma, Roberto Viskin, Moshe e Samuel Rosemberg
música original: Mario Lozua, Hector Morely e Pepe Ávila
fotografia: Rafael Corkidi e Antonio Reynoso
montagem: Fernando Suarez
elenco: Sergio Kleiner, Diana Mariscal, María Teresa Rivas, Tamara Garina, Juan José Arreola
Sinopse
Um jovem de vinte anos e sua amiga paralítica viajam por um cidade chamada Tar. Desarraigados, infantis e abandonados em seus impulsos e desejos, Fando e Lis trafegam em um mundo de desesperada e impossível comunicação.
Informações
Alejandro Jodorowsky nasceu em Iquique, Chile, em 7 de fevereiro de 1929. Em 1942 mudou-se para Santiago onde começou a freqüentar a universidade e trabalhar como palhaço em um circo. Fundou um teatro de marionetes e, assim, iniciou sua carreira de ator, diretor, cenógrafo e escritor.
Em 1955 vai para Paris onde estudou Marcel Marceau. Neste período dirige Maurice Chevalier e realiza um filme de curta metragem considerado perdido, "As Cabeças Invertidas", baseado em texto de RThoman Mann. Ainda em Paris faz amizade com Roland Topor e Fernando Arrabal, com os quais o movimento "Pânico", de nítida influência surrealista.
Nos anos 60 vive entre Paris e México onde encena textos fundamentais de Ionesco, Arrabal, Beckett, Shakespeare e Nietzsche. Em 1967 cria a sua própria casa de produção, a Produciones Panicas, e dirige seu primeiro e verdadeiro filme, "Fando Y Lis", uma história de amor surreal adaptada de uma peça de teatro de Fernando Arrabal.
Em 1971 filma EL TOPO, um faroeste metafísico. que viria a se tornar um verdadeiro cult por todos os festivais internacionais em que foi exibido. Em 1973 realziou A MONTANHA SACRADA, sobre a busca alquímica da imortalidade e da verdade. De volta à França em 1975, Jodorowsky inicia um empreendimento monumental: a adaptação cinematográfica de "DUNA", a já clássica obra de Frank Herbert, para qual convocou como parceiros alguns dos maiores mestres do fantástico: Jean "Moebius" Giraud, HR Giger, Chris Foss e Dan O'Bannon. Para o elenco milionário Jodorowsky sonhou com Salvador Dalì (num participação especial como o Imperador Padiscià), Gloria Swanson, Orson Welles, Charlotte Rampling, David Carradine, e seu filho Brontis como Paul Atreides. A trilha sonora deveria ser de Pink Floyd. O filme deveria ter 16 horas para poder "mostrar o processo e iluminação de um herói, de um povo e de todo um planeta ..." . Jodorowsky se baseou em Tarocchi para desenhar todo o storyboard do filme com Moebius e chegou a iniciar a pré-produção. Os produtores americanos se retiraram do projeto quando perceberam o "tamanho da encrenca" e o filme se transformou no "mais aguardado filme nunca realizado". David Lynch acabou filmando "DUNA" em 1984, mas anos luz aquém da megalomaníaca empreitada de Jodorowski embora, mesmo assim, o filme tenha custado uma fortuna.
Em 1979, Jodorowsky dirige TUSK, que conta a história de um elefante indiano. Nesse meio tempo, graças a Moebius, Jodorowsky entra no mundo dos quadrinhos. Os dois realizam "Les yeux du chat" em 1978; depois a saga mistica de L'Incal, de 1980 a 1988, uma obra-prima do gênero, baseados no vasto material de DUNA.
Volta ao cinema em 1989 com SANTA SANGRE, filmado no México, produzido por Dario Argento, e interpretado pelo seus filhos Adel e Axel. Em 1990 realiza THE RAINBOW THIEF, com Peter O'Toole, Omar Sharif e Christopher Lee, uma fantasia que surpreendeu (e decepcionou) a maior parte de seus fãs. Neste filme Jodorowsky coloca em cena a sua paixão pelas cartas adivinhatórias, o Tarot (para a qual chegou a inventar um baralho próprio e com o qual faz periodicamente leituras particulares - embora semi-públicas - muito procuradas).
À partir da metade dos anos 90 retorna aos quadrinhos onde é atualmente uma das personalidades mais prestigiadas.

Opiniões
"Fando & Lis is pure surrealism. The best way to describe it is as a cross between Luis Bunuel and John Waters. In fact, it owes a good deal to Bunuel and Salvador Dali's surrealist classic Un Chien Andalou (1928)." - Jeffrey M. Anderson
"Fando y Lis opens with a woman eating a flower, which makes crunching noises. Excited yet? But before you dismiss the film as indulgent trash-art (which it certainly is), keep in mind that it comes courtesy of Alejandro Jodorowsky, one of precious few writer / directors who can make heady symbolic-surrealism work. That is, if you're willing to surrender yourself to the mondo absurdity of it all: an ounce of ironic detachment would deflate the whole thing, but then again, post-modernites aren't deserving of Jodorowsky's work, anyway. See, the real joy of the Chilean surrealist, as well as Luis Bunuel and (to a degree) David Lynch, lies in how much transcendent emotion he can wrest out of such seemingly incomprehensible imagery: his work strikes a subconscious chord that functions almost entirely on an implicit, dream-logic level, and the result is often unpleasantly affecting, despite (or because of) its bewildering qualities. Still, if you're one of those who consider weirdness a bad quality, don't bother." - Chris Coleman
"... Such as when Fando is whipped by a bikinied torturess and eyed by some horny transvestites, or encounters vampires drinking snifters of blood (as an additional note, Jodorowsky said that all on-screen blood was real). And what other director would keep a straight face while live pigs are being pulled from Lis' vagina? (Yeah, you read that correctly.) Or when supporting characters crawl into their own graves to perish, politely thanking the grave digger as he covers 'em up? But if Jodorowsky wanted the title characters to be enchanting kids, fouled by society's ills, he failed. Because though his vision is charmingly morbid and scattered with unintentional laughs, the leads are dead weight. Along the way, I realized I didn't care about either of 'em or their heavyhanded quest. It's dense going for Jodorowsky amateurs, yet a field day for fans of murky, symbolic baloney." - Steve Puchalski
Escrito por Carlos Reichenbach às 14h48
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