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COLUNISMO SOCIAL
A NOITE DA (O) TEOREMA

Raimunda Valladares viajou para o Rio Grande do Sul à convite dos editores da revista Teorema.

Um monte de gente bacana foi ao bar Muffuletta, em Porto Alegre, para o lançamento da Teorema 6, que bombou geral. Todo mundo quis pegar em primeira mão o novo numero da revista que, comenta-se a boca pequena, tem tirado o sono dos redatores do Cahiers du Cinema.
Gael na vitrine, vendendo que nem pão quente. Os editores da Teorema, Marcus Mello, Ivonete Pinto, Flavio Guirland e Fernando Mascarello (o quinto editor, Fabiano de Souza, não pôde comparecer porque estava em Portugal, onde foi apresentar seu filme Cinco Naipes no Festival de Santa Maria da Feira, que recebeu o prêmio da TV portuguesa, levando 1500 dolares para casa). Brian de Palma, vulgo Thomaz Albornoz, todo contente porque na noite anterior havia feito a ultima sessão do ano do projeto Raros, exibindo na Sala P. F. Gastal mais uma preciosidade do seu acervo, Onibaba, a Mulher Demônio, de Kaneto Shindo.

A artista plastica Teresa Poester entre Marcus Mello e Alexandre Santos. O critico de arte Alexandre Santos, colaborador da Teorema, e a historiadora Alice Trusz A diretora Adalgisa Luz (de O Arraial, co-dirigido por Otto Guerra, e do ainda inédito Café Paris) e Claudia Barbisan, vocalista da banda She's Ok.

Daniel Feix, Leo Felipe, Ivonete Pinto e Marcus Mello. O realizador colombiano Juan Zapata, colaborador da Teorema, e Glênio Povoas A moça do meio é Helga Kern e a da direita é a estilista Vivi Gil. A artista plastica Daniela Cidade

Giba Assis Brasil, Ana Luiza Azevedo e Glênio Povoas O artista grafico Clovis Borba e Maria Angélica dos Santos, criadora e produtora do projeto Olho da Rua, que hah quatro anos leva filmes brasileiros a meninos de rua em Porto Alegre Eneas de Souza, decano da critica cinematografica gaucha, autor do primeiro livro de cinema publicado no Rio Grande do Sul, Trajetorias do Cinema Moderno (1965)

Felipe Diniz, feliz porque acaba de ter seu projeto - um documentario sobre prostitutas em Porto Alegre - aprovado pelo FUMPROARTE (o fundo de apoio a cultura mantido hah 10 anos pela Prefeitura de Porto Alegre). A beldade da direita nada tem a ver com o filme de Diniz; ao contrário, é uma moça da alta sociedade gaúcha, fotologueira, campeã de correspondencia no Orkut e acha Teorema "um luxo só".
Escrito por Carlos Reichenbach às 16h21
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AS REFLEXÕES DE J. OLÍMPÍO
VOLTANDO A CONVERSAR COM UM AMIGO
Eu estava com saudades das conversas que troquei com o escritor, roteirista e produtor J. Olímpio, na época em que mantive colunas semanais de cinema no Terra e no Cineclick.
Olímpio sempre pautou suas observações sobre os textos que eu escrevia pela independência, seriedade e inteligência com que acolhia ou discordava das minhas opiniões expostas nos textos semanais. Debatíamos com a mesma sinceridade tanto assuntos relativos às nossas vestais deslumbrantes e preferidas, quanto as minhas posturas mais radicias (quando não, irrascíveis) sobre questões políticas do cinema e até da nossa própria filosofia de vida.
Foi por essa razão que solicitei à J. Olímpio permitir reproduzir aqui, no Reduto, o texto que ele enviou à lista de discussão CINEBRASIL. Diante do fogo cruzado que se transformou a discussão da criação da ANCINAV, a reflexão do cineasta paranaense me pareceu absolutamente autônoma e franca
É preciso entender que esta é uma manifestação de assombro de um produtor sério, idealista e conseqüente, que está sofrendo todas as agruras de ter ousado investir a sua sobrevivência e a sua energia numa empreitada quase quixotesca: a produção de um filme independente, necessário, de amplo viés humanista e social, chamado O SAL DA TERRA, em um Estado onde fazer cinema ainda é um atrevimento.
Falei alguns dias atrás da dificuldade que Fernando Severo, um talento incontestável, vinha tendo para consolidar seu primeiro projeto de longa metragem. Para J. Olímpio e seu parceiro, o diretor Eloi Pires Ferreira, as vicissitudes tem sido ainda mais penosas:
"O filme O SAL DA TERRA está na lata, pré-montado (off line) e com um resultado técnico-artístico melhor do que esperávamos. O elenco está fantástico, o resultado promete bastante. Só um detalhe nos apavora: nosso Certificado da Lei do Audiovisual expira no próximo dia 31 e não temos o suficiente em caixa para solicitar um redimensionamento à ANCINE. Estamos fazendo O MÁXIMO para captar mais algum recursos nesta semana, para depois iniciarmos a negociação com a Agência."
Foi o próprio J. Olímpio quem, por outro lado, me enviou uma notícia bastante auspiciosa:
"P.S.: Seu protesto sobre o Fernando Severo funcionou; ele acaba de vencer, junto com Marcos Joel Jorge, o Prêmio Estadual de Cinema e Vídeo do Paraná. Eles receberão R$1 milhão para produzir o longa CORPOS CELESTES."
Escrito por Carlos Reichenbach às 02h43
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A CARTA DE J. OLÍMPIO PARA LISTA CINEBRASIL
(com a autorização do autor)
Povo do Cinema.
Há dois anos atrás, a atriz Regina Duarte invadia os lares brasileiros, pela telinha, e protagonizava o monólogo mais patético de sua carreira; dizia ela que "tinha medo...". Hoje, sua colega Cristiane Torloni se diz "atônita", no Estadão, ameaçando ler manifestos contra a ANCINAV, em plena ribalta. Ambas as divas, em momentos históricos distintos, encenam um espetáculo grotesco. A primeira, de "namoradinha" passou a ser a "madrastinha" do Brasil, ao manifestar sua servidão ao status quo de então. A segunda, desconhecedora confessa da real proposta da ANCINAV, melhor faria se ameaçasse brindar-nos com seus atributos físicos e interpretativos.
E, nesse rol de atuações infelizes, quando Tony Ramos, Rosa Maria Murtinho, Cláudio Manuel e outros expoentes globais assumem a inglória tarefa de atacar a modernidade nascente, vemos horrorizados o maquiavelismo dos patrões da "cultura audiovisual" usando-os como marionetes teleguiados para engambelar a boa-fé do povo.
E mais: liderando essa fantástica legião de notáveis cavaleiros da desesperança, Arnaldo Jabor escande sua pena ferina - brilhante e eloqüente, mas desatradamente devotada a servir aos poderosos - tentando desmoralizar toda a caminhada progressista dos atuais rumos da política audiovisual. Nada mais deplorável do que contemplar um cineasta do quilate de Jabor, hoje estéril de sua antiga poesia; que pensa estar distribuindo boas idéias, sem se aperceber que apenas late. Não basta invocar as origens cinemanovistas, para ele e outros seguidores dos desejos jardimbotânicos. Não lhes confere credibilidade alardear sua tradição produtiva, se hoje secundam interesses anti-produtivos para a comunidade. Não se pode acreditá-los "pós-modernos", se apelam para figuras lingüisticas mais do que reacionárias; cuspindo adjetivos como "stalinista" e outros. São tristes arremedos de militantes, que ouviram cantar o galo e nem sonham onde! Até o monarquista convicto Ives Gandra Martins foi convocado a "embasar" a argumentação da FAC, fazendo pretensa exegese do projeto da ANCINAV à luz da Constituição. Logo ele, que prega a transformação do Estado em uma corte vitoriana...!
Companheiros, o nosso cinema vive novo momento crítico e decisivo. Do "alto" da minha insignificância como produtor paranaense independente, arrisco-me a um alinhamento radical com a proposta por uma ANCINAV livre de todos os casuísmos que impregnam o tal substitutivo da FAC (leia-se: Globo). E conclamo a todos os que ainda prezam sua identidade pessoal e nacional a fazerem o mesmo, sob as luzes da lucidez que tanta falta faz a essas e outras personalidades comprometidas com a concentração dos meios. Arrisco-me, sim, a ser execrado e expelido do mercado, por pressões e influências contrárias à difusão do meu trabalho. E, se for o caso, não hesitarei em denunciá-las, repelí-las e superá-las.
O que não se pode, em hipótese alguma, é fazer vista grossa e ouvido mouco a mais essa manipulação da realidade.
Muito grato pela atenção, abraços a todos!
J. Olímpio
Escrito por Carlos Reichenbach às 02h14
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