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FAAP FEZ SEU FESTIVAL
RÁPIDAS ANOTAÇÕES SOBRE
O PRIMEIRO PANORAMA LATINO-AMERICANO
DE CINEMA UNIVERSITÁRIO

"UMA TRAGÉDIA BRUTAL" - um dos destaques do Panorama
Premiação Oficial
MELHOR FILME "El Patio", de Milagros Mumenthaler - UNIVERSIDAD DEL CINE Argentina MELHOR DIRETOR Pedro Granato, por "Uma Tragédia Brutal" - ECA/USP MELHOR ROTEIRO Carolina Leone e Luis Henrique Consolo, por "Dalva" - FAAP MELHOR FOTOGRAFIA Rodrigo Mercês, por "Noites de Sol" - FAAP MELHOR MONTAGEM Allan Ribeiro, por "Papo de Botequim" - UFF
Menções Honrosas "O Lençol Branco", de Juliana Rojas e Marco Dutra - ECA/USP "Morango", de Priscila Lima e Érica Moura - UFSCAR 9 "Leonard Adelt", de Gabriel Mori - UNIVERSIDAD DEL CINE Argentina "Zona Gris", de Eugenia Isquierdo e Santiago Sein - UNIVERSIDAD NACIONAL DE CORDOBA Argentina
Voto Popular
MELHOR FILME "Nossos Parabéns ao Freitas" (1° lugar), de Felipe Marcondes Sant´Angelo - ECA/USP
"Acciones en Ruta" (2° Lugar), de César Gutiérrez - MÉXICO
Algumas anotações genéricas do Comodoro, no calor da projeção: 1. Espantosa (e assustadora) a quantidade de filmes que usam a câmera de cinema como câmera de vídeo. 2. À ressaltar, ao contrário, o uso da câmera de vídeo com o requinte e a precisão de uma câmera 35 mm, nos ótimos "UMA TRAGÉDIA BRUTAL" e "WESTERN BOSSA NOVA". 3. Surpreendente o nível dos atores locais nos filmes de Brasília (que, por outro, batem o record em usar a câmera de cinema com a displicência do vídeo amador). 4. Chamou muito a atenção em alguns filmes a influência notável de ótimos autores consagrados. No muito bem dirigido "O Lençol Branco" foi possível detectar a transgressiva austeridade de Fernando Bonassi. No premiadíssimo "El Pátio", como bem notou o jurado Leon Cakoff, pode-se vislumbrar uma futura Lucrecia Martel. O enxuto e saboroso "Papo de Botequim" vem da escola Eduardo Coutinho. O estranhíssimo "Trylha" tinha tudo para surpreender se seguisse (como sugere o seu início) os preceitos poéticos e ingênuos de Humberto Mauro; ao explicitar as suas intenções, o filme desaba na pieguice. O criativo docudrama-fictício "Leonard Adelt", poderia ter sido assinado por Alejandro Agresti. 5. Mesmo tendo "convencido" os meus companheiros de júri para premiar a fotografia (um trabalho de iluminação artificial de dar inveja aos fotógrafos dos filmes em 35mm) de "Noites de Sol", é preciso fazer uma reparo no resultado com relação ao uso de lentes grandes angulares nos closes iniciais da atriz principal. È perverso filmar o rosto de uma mulher bonita com grandes-angulares. É preciso urgentemente que os professores de fotografia das escolas de cinema estimulem seus alunos a usarem as lentes normais. Sempre é bom lembrar que todos os grandes autores de cinema da história sempre deram preferência às lentes normais: na bitola 35, a lente ideal é a 40 ou a 50mm (as que mais se aproximam da perspectiva do olho humano). Alguns, como Bresson, Ozu e Howard Hawks só usaram a 50 mm durante a vida. E a razão é óbvia: eles sempre enxergaram o ser humano como a coisa mais importante à frente de suas câmeras. 6. "Noturno", de Daniel Salaroli, é uma singela homenagem ao cinema de horror. 7. Nos filmes da ECA-USP ("Uma Tragédia Brutal", "O Lençol Branco" e "Feito Para Não Doer") é que brilharam as melhores atrizes do Panorama. 8. Se houvesse um prêmio para o filme mais esdrúxulo, na certa o vitorioso seria o esquisito "Seres Estoicos".
Escrito por Carlos Reichenbach às 16h03
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