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REDUTO DO COMODORO - o Blog de CARLOS REICHENBACH - comodoro@olhoslivres.com |
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PAULISTAS, NÃO DEIXEM DE VER!
SEVERO, O DEMIURGO
Hoje, 24 de novembro de 2004, saí em estado de êxtase da claustrofóbica Sala 5, do Espaço Unibanco, com os olhos entupidos de imagens míticas e explêndidas, pois tinha acabado de assistir (sem nenhum favor ou exagero) um dos melhores filmes brasileiros dos últimos dois anos. Um filme de apenas 15 minutos mas com o viço de um vida inteira de poesia em celulóide. Se ver um filme deflagrador é, antes de mais nada, uma viagem lisérgica de prazer e aperfeiçoamento sensível, VISIONÁRIOS, de Fernando Severo é o limite ("LIMITE", revisitado). Até o dia 08 de dezembro, o Espaço Unibanco estará exibindo sempre às 18 horas, gratuitamente, o Curta Petrobrás às 6.
 Marcelo Montenegro, Ronaldo Bressane, Vebis Júnior e Francis Vogner: não percam esse filme! Cada segundo de sua duração vale por meses e meses de longas metragens medíocres e curtas inúteis. Sem querer estragar a surpresa da descoberta de suas imagens inéditas, da dimensão onírica de sua sugestão, do mergulho audiovisual no inesperado e na loucura santa dos videntes esquizofrênicos, não consigo deixar de mencionar uma sequência para os anais do imágético brasileiro: tratores rurais desatinados se transformam em escorpiões ensandecidos numa visão dantesca da morte da identidade. VISIONÁRIOS (produção de 2002), soma-se a O MUNDO PERDIDO DE KOZAK (1988) e OS DESERTOS DIAS (1991), para configurar uma das obras mais exotérmicas do cinema atual do país. Combustão pura de imaginação e magismo. É vergonhoso, injusto e burro (no que o termo tem de mais pejorativo) que Fernando Severo ainda não tenha conseguido dinheiro para fazer seu primeiro longa-metragem.
Ficha Técnica VISIONÁRIOS Fernando Severo Brasil/PR 15min, cor, 35mm, 2002 Direção, roteiro e montagem: Fernando Severo Fotografia e Câmera: Heloisa Passos Sinopse No norte do Paraná dois agricultores, na crença de estarem conversando com o divino, construíram santuários impressionantes. Nos dois casos, a intenção era erguer um abrigo para um possível apocalipse. Em Guarapira, Kekuno Warikoda - que morreu em 1993- construiu seu santuário budista. Estátuas de nítida influência oriental, de grande e médio porte, que mesclam simbologias católicas e budistas com imagens de guerreiros. Em Colorado, José de Freitas Miranda - morto em 1994 - criou a cidade "Aluminosa", com estátuas e bustos (feitos com cimento e argila) de pessoas assustadas e com olhos arregalados, para mostrar como seria a reação dos seres humanos no momento da destruição final.
Escrito por Carlos Reichenbach às 02h08
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Especial para CHIKO GUARNIERI
O MITOLÓGICO MAIA
Heráclito Maia, editor do fanzine MATADOURO, do blog NUVEM DE FUMAÇA, cinéfilo desvairado e pesquisador incansável do cinema de gênero (em especial dos faroestes- spaguetti), fã número um da musa explícita e tarada ítala-húngara, Simona Valli, é o "performer" da cultuada banda catarinense EUTHANÁSIA.
 Francisco Guarnieri relata que, na época em que morou em Florianópolis, empreendia verdadeiras excursões nos finais de semana para a cidade de São José, bairro Kobrasol, só para ver o performático Heráclito Maia em ação. O EUTHANÁSIA foi formado em fevereiro de 1992 e é integrado por Marcelo Mancha (Baixo e Voz), Jean (Guitarra e Voz), Cauê (Bateria) e Heráclito (Percussão e Backing Vocal). Eles se anunciam da seguinte maneira: "Euthanasia é escangalhacore: hard-core + metal + hip-hop + batucada + gritaria + distorção." Atenção: O EUTHANÁSIA de Floripa nada tem a ver com o EUTANÁSIA de Botucatu. O site do EUTHANÁSIA socializa as MP3 das músicas "Virgínia", "O Céu e o Mar" e "Chega Aí": http://www.prolapse.org/euthanasia/banda.html

Para acessar o blog NUVEM DE FUMAÇA, de Heráclito Maia:
http://nuvemdepolvora.weblogger.terra.com.br/
Para acessar o blog QUARTO DO CHIKO, de Francisco Guarnieri:
http://www.chiko.weblogger.terra.com.br/index.htm
Escrito por Carlos Reichenbach às 15h13
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SEXTA SESSÃO DUPLA DO COMODORO
SESSÃO DUPLA DO COMODORO - 01 de dezembro de 2004
A sexta SESSÃO DUPLA DO COMODORO irá acontecer dia 01 de dezembro, às 21.30 horas, no CineSesc.
As senhas deverão, como sempre, serem retiradas gratuitamente às 21.00 horas.
1a. Sessão - CONSEQÜÊNCIA (Consequence), de Anthony Hickox - falado em inglês, com legendas em espanhol.
2a. Sessão - THRILLER, A CRUEL PICTURE, de Bo A. Vibenius - falado em sueco, com legendas em inglês.
Atenção: o filme TRILLER, A CRUEL PICTURE possui cenas de extrema violência e de sexo explícito. Não é recomendado para pessoas sensíveis e facilmente impressionáveis.
CONSEQÜÊNCIA (Consequence - 2003)

de Anthony Hickox
produção Alemã / Americana (falada em inglês) - Colorido
será exibida com legendas em espanhol
duração: 97 minutos
Sinopse
Max Tyler, um cirurgião buco-facial caído em desgraça por negligência, tenta sair do abismo em que se meteu adotando a aparência e a identidade de seu próprio irmão, desaparecido e dado como morto em um país da América Latina. Traído pela esposa e pela amante, Max descobre a duras penas que o irmão nunca foi o ser humano irrepreensível que ele imaginava. Pior, ao tentar adotar a personalidade do outro ele se torna um verdadeiro alvo ambulante, na mira de traficantes, políticos, policiais e militares corruptos.
Equipe técnica
dirigido por Anthony Hickox
produzido por Frank Hübner, Brad Krevoy, David Lancaster e outros.
escrito por Mark Fergus e Hawk Ostby
fotografia de Giulio Biccari
montagem de Brett Hedlund
música original de Anthony Marinelli
Elenco
Armand Assante, Lola Glaudini, Rick Schroder, Danny Keogh, etc.

Escrito por Carlos Reichenbach às 11h57
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CONSEQUENCE 2
Comentários
"Conseqüência", de Anthony Hickox é aquilo que os críticos americanos chamam de "a little gem"; uma pequena obra-prima. Trata-se da renovação (mas com o pé fincado na tradição) absoluta do filme policial, na melhor tradição (e escola) de Fritz Lang, do Hitchcock da fase inglesa, Samuel Fuller e Joseph H. Lewis. Hickox é filho de Douglas Hickox (o diretor de AS 7 FACES DA MORTE – Hammer) e Anne V. Coates (a genial montadora de LAWRENCE DA ARÁBIA, O HOMEM ELEFANTE e IN THE LINE OF FIRE).
CONSEQUENCE é o terceiro e último filme de uma série de 3 ótimos thrillers, que Anthony Hickox fez com o ator Armand Assante (A ÚLTIMA MISSÃO - Last Run, FEDERAL PROTECTION e CONSEQUENCE).
Considero Hickox o cineasta mais interessante do cinema comercial atual, porque alem de filmar com classe, domínio absoluto da gramática cinematográfica e ousadia, inova o "timing" da narrativa à maneira de um De Palma ao esticar os tempos reais da ação com absoluta desfaçatez. Ele não se amarra nunca à verossimilhança (assim com sempre ousou o velho Hitch). Hickox filma o real em total clima permanente de pesadelo. Em todos os seus filmes, quando a narrativa parece "entrar nos eixos", ele subverte as expectativas com a mesma liberdade praticada pelos verdadeiros "inventores".

Reproduzo aqui trechos do comentário que publiquei no REDUTO DO COMODORO, em 27/05/2004, assim que acabei de assistir CONSEQUENCE:
O Donald Siegel da nova geração tem nome e filma bem para cacete: Anthony Hickox, um inglês nascido em 1964, filho do diretor Douglas Hickox e da montadora Anne V. Coates.
O IMDB assim se refere ao estilo (original e fascinante) de Anthony: "Has a unique visual style. Often uses a dual-focus technique in which one person's face would take up most the screen in profile, with another person shown on the other half of the screen in the background."
Confesso que fiquei irritado de gostar tanto de "A ÚLTIMA MISSÃO" (Last Run), na primeira vez que vi. Foi a mesma sensação que tive com os notáveis "Viver e Morrer em Los Angeles", de William Friedkin, "Especiais Efeitos", de Larry Cohen, "A Marca da Corrupção", de John Flynn, e outros; depois de me dei conta que somente filmes especiais (e que, às vezes, sentimos vergonha de admirar - os chamados "guilty pleasures"; às vezes uma pequena inveja não confessada do diretor pouco valorizado) provocam tal reação.
Hickox me devolveu o prazer do "cinema do corpo".
Acabo (3.45 da madrugada) de assistir CONSEQUENCE, de Anthony Hickox, com Armand Assante. Para começar, pensei que depois de VIVER E MORRER EM LOS ANGELES nunca mais fosse ver uma perseguição de carros tão espetacular e original.... Acabei de ver!
CONSEQUENCE alça Hickox ao panteão dos grandes diretores de filme de ação da história: como diria Sam Fuller, film is action: emotion, emotion, emotion....
Hickox recicla Fritz Lang, Don Siegel, Joseph Lewis, William Friedkin, Brian de Palma, etc, etc, etc. Ainda por cima inova o tempo inteiro. Poucas vezes vi certos cacoetes do cinema contemporâneo usados com ética e inteligência (talvez apenas em LÚCIA E O SEXO).
Hickox, como todo grande poeta do cinema de ação (e do corpo) manda a verossimilhança para o espaço em nome das sensações. Ele estica o tempo, cruza elipses e - assim como Samuel Fuller nos doze minutos finais de CÃO BRANCO - trabalha todos os recursos mais nobres da linguagem cinematográfica em função da emoção.”
Escrito por Carlos Reichenbach às 11h52
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THRILLER 1
THRILLER, a CRUEL PICTURE (1974)

outros títulos do mesmo filme: "Thriller - en grym film", "Hooker's Revenge" e "They Call Her One Eye".
de Bo Arne Vibenius (no filme aparece outro nome, mas o diretor é realmente Vibenius)
Suécia - colorido
com legendas em ingles
Duração: 107 minutos

Sinopse
Menina perde a voz depois de ser violentada por um mendigo. Adolescente, ela tenta superar o passado trabalhando arduamente numa fazenda remota. Um dia, ao perder o ônibus que a levaria de volta a sua casa, ela aceita a carona de carro de um vigarista. Ele leva-a para jantar em sua casa e então a garota é drogada e obrigada a se prostituir. Ela ataca ferozmente seu primeiro cliente. Como castigo ela tem seu olho esquerdo furado com uma lâmina pelo vigarista. Ele envia uma carta para os pais da garota informando-os que ela os abandonou. Os pais dela se suicidam. A garota descobre tudo e, após um longo aprendizado de defesa pessoal, artes marciais, tiro ao alvo e táticas militares, ela parte para sua sangrenta e implacável vingança pessoal.
Equipe Técnica
direção: Bo Arne Vibenius (sob o pseudônimo de Alex Fridolinski)
roteiro e produção: Bo Arne Vibenius
direção e fotografia: Andreas Bellis
música: Ralph Lundsten
montagem: Brian Wikström

Elenco
Christina Lindberg, Heinz Hopf, Solveig Andersson, Despina Tomazani e Per-Axel Arosenius.

Comentários
Este foi um dos filmes, que reconhecidamente "gerou" KILL BILL (1 e 2). Nas palavras de Tarantino, "Thriller, a Cruel Picture" é "the roughest revenge movie ever made". Foi também o primeiro filme a ser banido da própria Suécia por causa de suas cenas de sexo e violência.
Quem emprestou a cópia integral de THRILLER, A CRUEL PICTURE para ser exibida no dia 01 de dezembro foi Leandro Cesar Caraça, editor do blog VIVER E MORRER NO CINEMA (o nome do blog homenageia a obra prima de William Friedkin - não por menos, outro grande cineasta que é referência de Anthony Hickox em "Consequence")
O texto que segue é de Leandro Cesar Caraça e pode ser conferido no endereço:
http://buchinsky.zip.net/
Escrito por Carlos Reichenbach às 11h44
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THRILLER 2
THRILLER - A CRUEL PICTURE
"O filme mais comercial já feito", pensou o sueco Bo Arne Vibenius quando começou a escrever o roteiro de Thriller-en grym film. Assistente de Ingmar Bergman em Persona e A Hora do Lobo, Vibenius estava convencido que seu filme sobre vingança encontraria lugar junto ao grande público. Acontece que ninguém deve ter dito a Vibenius que uma obra com cenas de sexo explícito e a utilização de um cadáver real na sequência mais famosa, não é exatamente o que podemos chamar de filme mais comercial do mundo. Banido em seu próprio país de origem, Thriller-en grym film não teve melhor sorte quando exibido no Festival de Cannes de 1973. A americana AIP comprou os direitos de exibição e lançou o filme nos Estados Unidos como They Call Her One Eye e depois como Hooker's Revenge com vinte minutos a menos de duração (incluindo as cenas de sexo hardcore). Esta versão chegou a passar na televisão brasileira como “Eles a Chamam de a Caolha” em alguma madrugada maldita dos anos oitenta. Agora a distribuidora americana Synapse Films apresenta o filme sem cortes em DVD numa edição limitada de apenas 25.000 cópias. A musa dos filmes eróticos suecos Christina Lindberg faz o papel de Madeleine (Frigga na versão americana), uma bela jovem que mora com seus pais numa bucólica fazenda. Quando pequena ela foi violentada por um velho mendigo, ficando muda desde então com o trauma da experiência. Voltando ao presente, certo dia Madeleine perde seu ônibus escolar e aceita a carona de um desconhecido que a convida para jantar e conhecer sua casa. A garota é drogada e obrigada a se prostituir em troca de mais heroína. Logo na primeira sessão, ela ataca ferozmente seu cliente. Como castigo ela tem seu olho esquerdo furado com uma lâmina numa sequência que não poderia ser mais realista porque foi utilizado um cadáver humano na realização. Nenhum efeito especial seria capaz de enganar tão bem, ainda mais em 1972. Como desgraça pouca é bobagem, os pais de Madeleine recebem do cafetão uma carta falsa dizendo que a garota os abandonou. O resultado é o suicídio dos pais da pirata (seu codinome profissional) e a gota final para o começo de um plano de desforra que incluí aulas de artes marciais, defesa pessoal, uso de armas militares e corrida de automóveis - uma garota muito prendada! Thriller - A Cruel Picture é algo inclassificável, sem parâmetros até então, um filme exploitation de vingança com toques totalmente artísticos e cenas de sexo explícito (com direito a anal e ejaculação) que foram filmadas depois com prostitutas que Bo Arne Vibenius contratou pessoalmente. Isso não era exatamente novidade, pois gente como Jesus Franco e Joe D'Amato faziam isso em vários de seus filmes, mas a diferença é que enquanto esses dois tinham a clara intenção de vender uma versão XXX de suas obras para o mercado pornográfico, Vibenius defendia a integridade autoral de seu filme. Importante dizer que Christina Lindberg não participou de nenhuma cena de sexo explicíto, aliás ela nunca fez nenhum filme do gênero hard. Como se tudo isso não fosse suficiente, Vibenius usou seus contatos com os militares com quem havia trabalhado, e conseguiu emprestadas câmeras experimentais que filmavam 500 frames por segundo e eram destinadas a gravar testes de foguetes. Muitas das cenas de ação de Thriller - A Cruel Picture foram feitas com câmera lenta, mas não uma câmera lenta qualquer. Elas são tão lentas, que fazem os mestres em slow-motion Sam Peckinpah e John Woo parecerem Michael Bay na comparação. Nesta altura do campeonato, todo mundo deve saber da influência do filme em Kill Bill depois que Quentin Tarantino afirmou ser este o maior filme sobre vingança do cinema, e criar a personagem Ellie Drive tendo Christina Lindberg como modelo. Só que não para por aí, pois as cenas de ação trazendo Madeleine vestida de preto, trucidando pessoas com golpes de artes marciais em slow-motion, lembra muito os filmes da trilogia Matrix. Poderia até ser exagero da minha parte, se o DVD da Synapse não trouxesse uma cena alternativa que havia ficado de fora da montagem final, e que mostra Madeleine num momento totalmente Trinity durante uma luta. Para finalizar é interessante citar outro toque sutil de Vibenius no filme, onde o céu vai ficando cada vez mais e mais azul de acordo como a vingança da caolha vai acontecendo. Vibenius renegou esta versão em DVD, disse que não havia sido pago e protestou avisando que faria uso da sua amizade com George W. Bush (!) para evitar o lançamento da Synapse.
Sujeito muito estranho esse tal de Bo Arne Vibenius ...
"Love it or hate it, I don't give a shit, this is my final cut!" - Bo Arne Vibenius

O Comodoro e o CineSesc agradecem a gentileza de LEANDRO CESAR CARAÇA, que cedeu a sua cópia de TRILLER, A CRUEL PICTURE para esta sessão.
Escrito por Carlos Reichenbach às 11h36
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