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REDUTO DO COMODORO - o Blog de CARLOS REICHENBACH - comodoro@olhoslivres.com |
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COLUNISMO SOCIAL

A QUINTA NOITE DO COMODORO
comentários: Raimunda Valladares
fotos: Vebis Junior (o "capitão de fragata")

As duas ameaças de chuva forte, cada uma delas antecedendo as duas sessões, não afugentou demais os fiéis das Sessões Duplas do Comodoro. Nesta quinta reunião de amigos, a surpresa foi encontrar uma autêntica "invasão carioca" de cínéfilos, críticos ferrenhos e lindas garotas tatuadas.

Bastidores do CineSesc: Zakir, Simone Yunes, Chico Galvão e o Comodoro se reuniram para discutir a festa do dia 05 de Janeiro, quando serão entregues os QUEPES DO COMODORO e exibido um filme-surpresa (um presente para qualquer cinéfilo que se preze). Dennison Ramalho se preparou espiritualmente para assistir SPETTERS.

Milagres da tecnologia. Comodoro faz apresentação dos filmes genIais que serão exibidos em dezembro na Sala Cinemateca, tendo ao fundo um poema de Marcelo Montenegro. Eduardo Valente ri do Comodoro que rebatizou Remier Lion Rocha de Remion duas ou três vezes. Ruy Gardnier se refastelou na poltrona para curtir Paul Verhoeven. Jacob Solitrenick deu nota mil para "Spetters" (que tem fotografia de Jan de Bont) mas saiu de mansinho antes de BUIO OMEGA porque o fotógrafo do filme é o próprio diretor.

Flavia Rea, que foi pela primeira vez na Sessão do Comodoro, carregou o seu milionário piano Bechstein para gáudio do nosso "capitão de fragata" metrossexual, que volta e meia larga sua câmera caríssima na mão de qualquer neófito só para sair ao lado das beldades. Quer mais?

Falando em beldades, o nosso "capitão de fragata" é um autêntico garimpeiro. Sua estratégia para conseguir sorrisos de adesão das vestais é mostrar a sua tatuagem da Virgem de Guadalupe. Diz ele, que nenhuma garota resisitu até hoje: é o milagre da fé! Com o pessoal da FM89 ele não precisou ir tão longe. Ué, o que o Dennison Ramalho está fazendo aqui de novo? Deve estar se preparando "espiritualmente" para a sessão do Joe D´Amato. Desse jeito, nosso canibal-mor vai entrar em Alpha.

Após a sessão houve o encontro habitual dos experts em "cinema extremo" no Habbib´s 24 horas, da rua Augusta. Ora, filme sem debate depois não tem graça. Naquela noite, em especial, discutiu-se à exaustão uma certa crítica ranheta e persecutória a um filme brasileiro recente realizado por um dos presentes. No final da madrugada, o Comodoro mandou uma saudação (um rá.... de raiva) para Lola Langousta, a prima feia de Morgana Fayon.

Escrito por Carlos Reichenbach às 17h01
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SEMANA REICHENBACH NO CENTRO CULTURAL
CENTRO CULTURAL SÃO PAULO - SALA LIMA BARRETO (CAPACIDADE: 110 LUGARES) Rua Vergueiro 1000, Paraíso - tel. 3277-3611 r. 279
GRÁTIS
Retiradas de ingressos sempre uma hora antes de cada sessão IDADE SUGERIDA: 16 anos
O CINEMA DE CARLÃO REICHENBACH 16 a 21 de novembro de 2004
Apoio: Cinemateca Brasileira e Dezenove Som e Imagem
Programação
Dia 16 - terça
16 h - Filme Demência
18 h - Garotas do ABC
20 h - Rua Augusta (curta) e Lilian M., Relatório Confidencial
Dia 17 quarta
16h - Dois Córregos - Verdades Submersas no Tempo
18h - Alma Corsária
20h - Olhar e Sensação (curta) e Extremos do Prazer
Dia 18 - quinta
16h - Garotas do ABC
18h - Lílian M., Relatório Confidencial.
20h - Olhar Sensação (curta) e Alma Corsária
Dia 19 - sexta
16h - Lílian M., Relatório Confidencial.
18h - Extremos do Prazer
20h - Dois Córregos
Dia 20 - sábado
16h - Extremos do Prazer
18h - Filme Demência
20h - Rua Tão Augusta (curta) e Garotas do ABC
Dia 21 - domingo
16h - Alma Corsária
18h - Dois Córregos
20h - Olhar Sensação (curta) - Filme Demência
OS FILMES

Filme Demência Brasil, 1986, cor, 90 min Direção: Carlos Reichenbach Elenco: Ênio Gonçalves, Emílio Di Biasi, Imara Reis, Fernando Benini, Rosa Maria Pestana Ambicioso projeto de Reichenbach, Filme Demência (anagrama de filme de cinema), uma adaptação pessoal da lenda de Fausto, e sua trágica e terna busca do conhecimento. Após a falência de sua pequena indústria de cigarros, Fausto rompe com o mundo e sai em busca de seu paraíso perdido. Neste trajeto ele encontra, além de figuras emblemáticas de sua existência obscura, o próprio Mefisto, escondido sob vários disfarces.
Garotas do ABC Brasil, 2003, 124 min. Direção: Carlos Reichenbach No ABC de São Paulo, região de fábricas têxteis e metalúrgicas, um grupo de operárias vive seu cotidiano de intenso trabalho, sonhos e ilusões. Entre elas, destaca-se Aurélia, operária negra, bela e atrevida, que adora homens fortes e musculosos. Ela namora Fábio, jovem enturmado em um grupo neonazista, liderado pelo jovem advogado Salesiano de Carvalho.
Rua tão augusta Brasil, 1968, 5 min. Direção: Carlos Reichenbach Documentário Cenas documentais da Rua Augusta em 1967, com apresentação do comércio local, de transeuntes e de aspectos do trânsito.

Lílian M., Relatório Confidencial. Brasil, 1975, cor, 100 min. Direção: Carlos Reichenbach Elenco: Célia Olga Benvenutti, Benjamin Cattan, Sérgio Hingst, Maracy Mello, Edward freund Maria, seduzida por um caixeiro-viajante, abandona marido, filhos e a lavoura, para tentar a vida na metrópole. Em seu caminho para a liberdade, envolve-se com personagens bizarros e típicos da grande cidade, o que muda para sempre a sua vida. De volta ao campo, Maria é uma outra mulher, tão diferente quanto o nome que adotou.
Dois Córregos - Verdades Submersas no Tempo Brasil, 1999,112 min Direção: Carlos Reichenbach Elenco: Carlos A Riccelli, Beth Goulart, Ingra Liberato, Vanessa Goulart, Luciana Brasil, Kaio César, Luiz Damasceno, Thomaz Jorge Ana Paula (Beth Goulart) vai ao interior de São Paulo recuperar a casa de campo que herdou dos pais, atualmente ocupada por grileiros. Constrangida com a indiferença de seu advogado e com a rispidez da ação policial, ela lembra a última vez que esteve ali.
Alma Corsária Brasil, 1994, cor, 116 min. Direção: Carlos Reichenbach Elenco: Bertrand Duart, Jandir Ferrari, Andréa Richa, Flor, Mariana de Moraes, Jorge Fernando, Emílio Di Biasi, Abrahão Farc Rivaldo Torree e Teodoro Xavier, amigos de infância, lamçam o livro Sentimento Ocidental na Pastelaria Espititual. Enquanto a festa avança, o filme recua até os anos 50 e segue pelas décadas seguintes contando a história da amizade dos dois autores, seus amores, amarguras, lutas e alegrias. "Fragmentado como a memória, sentimental como os faroestes clássicos sobre a amizade entre homens, apaixonado e imperfeito como os filmes brasileiros que mais amo, Alma Corsária, o meu filme da maioridade, no sentimento menos babaca do termo", como define o próprio Reichenbach
Olhar Sensação Brasil, 1994, cor, 10 min. Direção: Carlos Reichenbach Vôo livre na direção da memória, do instinto, do olhar e das sensações. Busca obsessiva de ângulos inesperados do Vale do Anhangabaú. A cidade incógnita através da pupila do animal enjaulado. Autor e criança mergulham além de suas janelas. Todos os caminhos acabam num túnel. A herança de Ló no olhar de pedra do ser inerte, onde habitam abelhas selvagens. Cinema aspirando à pintura e ao traço; rascunhos

Extremos do Prazer Brasil, 1983, 92 min. Direção: Carlos Reichenbach Elenco: Luiz Carlos Braga, Taya Fatoon, Eudes Carvalho, Roberto Miranda, Rosa Maria Pestana, Rubens Pignatari, Sandra Graffi, Vanessa Alves, Marco Rossi Luiz Antônio, ex-catedrático em Sociologia, teve seus direitos cassados, inclusive o de lecionar, após a violenta morte de sua esposa Ruth, uma ativista política. Acaba se auto-exilando na casa de campo de sua sobrinha Natércia. Várias pessoas frequentam a casa, fazendo com que Luís fique ainda mais perturbado. Os problemas existenciais de todos acabam se entrelaçando, com surpreendentes revelações.
Escrito por Carlos Reichenbach às 18h45
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UMA PÉROLA DO POETA MARCELO MONTENEGRO
MATINÊ
Às vezes saio do cinema
E me ponho a andar
Cartografias pessoas
Apenas olhar
Ter a leve impressão
De que a cidade está grávida
De um outro lugar
do livro "Orfanato Portátil",
de Marcelo Montenegro,
Atrito Art Editorial
O blog de Marcelo Montenegro está concorrendo
ao Quepe do Comodoro - Categoria Invenção
http://marcelomontenegro.blog.uol.com.br/
Escrito por Carlos Reichenbach às 12h50
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NOSSO CRONISTA FICOU UMA ARARA

JEQUICE PAULISTANA
QUASE DESTRÓI A NOITE DOS ANJOS
A noite de sexta-feira, dia 05 de novembro, tinha tudo para ficar nos anais dos festivais de música internacional acontecidas no Brasil em todos os tempos.
O espaço privilegiado do Tim Club, longe da tecnovirtuosidade do Kraftwerk e da mesmice bate-estaca dos "djeísmo" militante, pode ser embalado pelo supra sumo do jazz moderno: do exuberante violonista Chico Pinheiro à Nancy Wilson, a última grande ainda ativa, até chegar ao genial (no que o termo possui de mais excelso) tecladista Brad Mehldau.

Chico Pinheiro, cercou-se de excepcionais músicos brasileiros, fez um show perfeito que primou pela elegância e, sobretudo, pelo bom humor. Na única peça musical que exercitou sua virtuosidade - como imenso instrumentista que é, Chico, num dueto (e duelo) afinadíssimo com seu pianista André Mehari, não "mostrou serviço" em sua performance, mas esbanjou sensibilidade e, novamente, bom humor.

Brad Mehldau, veio acompanhado de seus dois cúmplices perfeitos: o baixista Larry Grenadier e o baterista Jorge Rossy, e nos primeiros segundos em que abriu sua apresentação com "You Do Something to Me", de Cole Porter, mostrou porque é considerado o maior tecladista de jazz vivo. Ouvir e apreciar os arranjos ultra sofisticados (e ao mesmo tempo, estupendamente triviais) de Mehldau exige o apuramento dos sentidos e da audição. Com o perdão da comparação, Mehldau toca piano como se estivesse fritando uma panqueca em sua própria casa, imbuído pelo único compromisso do prazer da delícia. Que espetáculo! Como se não bastasse, Mehldau e seus formidáveis parceiros subverteram um hit deprê do Radiohead, "Everything its Right Place", fazendo mergulhar o auditório do Tim Club numa espiral hipnótica de tal densidade e beleza que quase fez arrancar a pele das palmas das mãos na saudação final do público embasbacado. Quando o trio voltou para o bis, quase nos levou ao delírio com uma interpretação engenhosa e inovadora de "She´s Leaving Home" de Lennon e McCartney.

Já eram quase uma hora da manhã quando a última grande lady do jazz, Nancy Wilson, iniciou sua apresentação. Ainda no meio da primeira música, o público continuava entrando no auditório vindo do bar, numa demonstração de total falta de civilidade. No meio de "My Foolish Heart", a cantora visivelmente irritada, saiu do palco e foi à coxia pedir para os técnicos baixarem os sons dos instrumentos. Aparentemente, a platéia entendeu a aflição de Mrs. Wilson e aplaudiu sua explicação pública. A voz da Diva pareceu tomar conta do recinto e por meia hora a platéia se comportou com cordialidade (mesmo com alguns manés bêbados nas primeiras filas gritando por hits da cantora no final das músicas). Nancy Wilson fez uma homenagem explícita ao compositor Ivan Lins e arrasou ao interpretar a música-tema do filme "Dois Córregos". Alguns jornalistas boçais (e locais) torceram o nariz. CACETE! SERÁ QUE NESTE PAÍS O CARA PRECISA MORRER PARA SER DEVIDAMENTE RESPEITADO! ESTÃO FAZENDO COM IVAN LINS, EXATAMENTE O QUE FIZERAM COM ANTONIO CARLOS JOBIM, EM VIDA!". Mas a mediocridade não estava confinada somente na ala moderninha da mídia presente. Há meia hora do fim da apresentação de Mrs. Wilson, um imbecil entrou no meio da ala Vip da platéia e espalhou a notícia: "O show do Kraftwerk acabou, gente! Se não saírem agora não vão sair nunca mais do Jóquei Clube". Foi o que bastou para um cem número de jecas saírem correndo para resgatar as seus ricas BMW. Eu, meu filho Luís, o produtor Beto Ronchezel e o arquiteto e cineasta Isay Weinfeld estávamos na ala de "convidados" e acompanhamos tudo de perto, estarrecidos. Em menos de dez minutos, a ala de convidados esvaziou. Alguns jornalistas noticiaram que o show não estava agradando a platéia. Foram tão estúpidos quanto os novos ricos que foram ao Tim Club, não para ouvir o néctar do jazz, mas para serem fotografados pela revista Caras. Os jecas grosseiros fizeram a grande dama chorar no palco. Os fãs tentaram amenizar a decepção da intérprete saudando a grande dama com aplausos esfuziantes. Ao voltar para o bis, Mrs. Wilson não resistiu e pediu para a platéia que estava atrás da "Ala Vip" vir para frente; e então cantou com toda a sua energia para um grupo de privilegiados.
Vergonha! Vergonha! Vergonha!
Sim fiquei (e ainda estou) possesso: por conta desta baixaria deixei de ir assistir ao show do meu maior ídolo, Brian Wilson, com medo de sair na porrada com os babacas que adoram "desfilar" pelo espaços da moda e saem antes da hora dos espetáculos e (porque não?) dos letreiros finais dos filmes!.
Um dia ainda vão entender que cultura não é, e nunca vai ser - de jeito nenhum - moda, atitude, comportamento e, muito menos, "business". Certo ?
Escrito por Carlos Reichenbach às 17h17
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QUEPE - JÚRI OFICIAL
DEFINIDO O JÚRI OFICIAL
DO TROFÉU QUEPE DO COMODORO

ANDRÉ SETARO - Jornalista, crítico de cinema da Tribuna da Bahia, blogueiro e professor da Universidade Federal da Bahia.
ESTEVÃO AUGUSTO - Web-designer, editor do extinto site FILMESCÓPIO, cinéfilo.
JOÃO LUIZ VIEIRA - Pesquisador, ensaísta e Professor Doutor de Cinema e Vídeo na Universidade Federal Fluminense.
LÚCIA VALENTIM RODRIGUES - Redatora do caderno Ilustrada da Folha de São Paulo e uma das idealizadoras do movimento Sampacentro.
PAULO SACRAMENTO - Diretor e montador de cinema, autor do premiadíssimo documentário O PRISIONEIRO DA GRADE DE FERRO, sócio-gerente da produtora OLHOS DE CÃO (que produziu, entre outros filmes, o longa de ficção AMARELO MANGA, de Cláudio Assis e o curta AMOR SÓ DE MÃE, de Dennison Ramalho).
Estas são as pessoas que irão escolher os seguintes prêmios:
QUEPE DO COMODORO - CATEGORIA INVENÇÃO
QUEPE DO COMODORO - BLOG DE CINEMA
QUEPE DO COMODORO - SITE DE CINEMA
QUEPE DO COMODORO - SITE DE ARTE, CULTURA E ENTRENIMENTO
Para acessar todos os blogs e sites que estão concorrendo, entre no endereço:
http://www.olhoslivres.com/quepe_do_comodoro.htm
Escrito por Carlos Reichenbach às 20h43
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