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A MORTE DE J. LINS, UM "INVENTOR" BRASILEIRO
Ontem, dia 27 de agosto, voltando de avião para São Paulo, após o lançamento de GAROTAS DO ABC no Rio de Janeiro, me deparei com uma notícia do jornal TRIBUNA DA IMPRENSA que, além de um frio na espinha, me prostrou de tristeza o resto da viagem.
DEU NA TRIBUNA DA IMPRENSA (27/08/2004)
Jaceguay Lins morre abandonado no ES
Nota publicada em jornal capixaba: "o Espírito Santo está de luto: morreu hoje, de câncer na garganta, aos 57 anos, o maestro Jaceguay Lins, importante expoente intelectual que contribuiu para a divulgação do congo. Nascido em Pernambuco, Jaceguay Lins atuou no Rio de Janeiro, no início dos anos 70, na pesquisa da música eletroacústica no Instituto Villa-Lobos, juntamente com Marlene Fernandes, Ricardo Tacuchian, José Maria Neves e Aylton Escobar. O maestro, compositor, escritor e poeta Jaceguay Lins, que também foi regente da Orquestra Filarmômica do Espírito Santo, morreu praticamente na miséria - seu enterro foi pago pela Prefeitura Municipal da Serra, na Grande Vitória, capital do Estado. Esse é o retrato fiel da cultura brasileira."
Por e-mail, Acir Vidal me pergunta se o conheci. Mais que isso: fui aluno dele, de Melódica, justo ali no Instituto Villa-Lobos, em 1970. Estive em sua casa, na Praia do Flamengo, quando era casado com a pianista Marlene Fernandes, também minha professora. Anos depois, na Embrafilme, produzi um elepê com a trilha sonora que ele criou para o longa "Coronel Delmiro Gouveia", de Geraldo Sarno, sobre um dos mais desconhecidos heróis brasileiros.
Há dias, fiquei sabendo de sua agonia, sozinho e doente, pelo escritor e jornalista Tavares Dias, mineiro radicado em Vitória - mas já não havia praticamente nada a fazer. Lins passa a ser mais uma saudade. Curiosa ironia: chama-se Delmiro, em homenagem ao personagem do filme, o filho de um outro grande capixaba, o pesquisador Rogério Coimbra, amigo de Acir, de Tavares e da coluna."
ROBERTO M. MOURA
Em 1988, o grande cineclubista e agitador cultural Marcus Valério me convidou a mostrar FILME DEMÊNCIA num cinema de Vila Velha, em Vitória do Espírito Santo, o saudoso Camélia, aquele simpático cinema restaurado pela prefeitura que ficava aos pés de duas enormes favelas capixabas.
Eu havia exibido ANJOS DO ARRABALDE, meses antes, numa das sessões mais impressionantes e imprevisíveis da minha vida. Pude testemunhar, muitas vezes assustado, a euforia e a fúria das reações de empatia ou rejeição com o tema e personagens mostrados no filme, sobre o público que frequentava o Camélia: vinte por cento de intelectuais e cinéfilos da cidade se misturando com uma maioria absoluta de favelados locais. O Camélia cobrava um valor exíguo e simbólico e com isso atraia um imenso público carente da região (resultado prático do eficiente ativismo cultural e militante - em prol do direito à comida e arte - de Marcus Valério e seus companheiros). A sala estava hiperlotada e as reações eram as mais estarrecedoras. Quando a personagem de Irene Stefânia, uma professora dedicada, resolve enfrentar o marido machista, o advogado "porta-de-cadeia" interpretado por Ênio Gonçalves, os homens da platéia berravam: "Mete a mão na cara dela! Não afina não, viado!". Pensei que fossem quebrar as cadeiras do cinema quando Stefânia "dá uma banana" para o marido autoritário no desfecho do filme e volta a trabalhar. Não foi o que aconteceu. ANJOS DO ARRABALDE foi recebido com uma ovação delirante e comovente. O machismo proletário se dissolveu no desfecho que celebra a tolerância e o respeito humano.
Quando voltei para mostrar FILME DEMÊNCIA pensei que fosse encontrar o cine Camélia às moscas. Claro, não era o mesmo volume de público da sessão anterior, mas me surpreendi em ver todas as poltronas ocupadas. Naquela noite haviam mais cinéfilos, estudantes e intelectuais do que o público proletário habitual. A sessão foi assistida com um respeito comovente. Pude ouvir aplausos calorosos e metade da platéia saiu da sala com uma expressão de nítida perplexidade. Assim que Marcus Valério deu início ao debate, um homem magro, fisicamente muito parecido com o amigo Jairo Ferreira, veio até mim e me abraçou irrompendo num choro convulso. "Você filmou a minha vida!". A emoção do espectador fez a platéia vir abaixo e só então fiquei sabendo de quem se tratava. "Meu nome é J. Lins e isso que você filmou é minha vida!", disse ele referindo-se ao "calvário" de Fausto pela noite da "falência economica e existencial de São Paulo". Naquela noite FILME DEMÊNCIA me apresentou um novo "irmão de universo" e mesmo que poucas vezes nós tenhamos nos falado depois daquele encontro, a minha admiração por aquele experimentador nato e imenso, militante da música da alma e anacoreta convicto, nunca mais arrefeceu.
Orlando Parolini, Dennis Wilson, Raul Seixas e Jairo Ferreira me ensinaram que criadores transgressivos nunca morrem abandonados; eles apenas alçam vôo solo por espontânea vontade e sem retorno.
CARLOS REICHENBACH - 28/08/2004
Escrito por Carlos Reichenbach às 15h13
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COLUNISMO SOCIAL, O RETORNO
GAROTAS DO ABC NA AUGUSTA, GRAÇAS À DEUS
Fotos: VEBIS JUNIOR
Comentários: RAIMUNDA VALLADARES

A pré-estréia de GAROTAS DO ABC, no Espaço Unibanco de São Paulo, lotou as três salas da rua Augusta, o que obrigou alguns retardatários a voltarem para a casa. Os cartazes do filme, espalhados pelo cinema inteiro, foram "discretamente" surrupiados por amigos e fãs das maravilhosas atrizes presentes ao evento. Na montagem de fotos acima, uma das musas do Reduto, Lina Agifu assina um dos posters, "dirigida" pela deslumbrante Michelle Valle); Lucielly di Camargo (cada dia mais parecida com a musa mexicana Salma Hayek); a grandiosa Beth Goulart (que não está em GAROTAS, mas faz uma participação especialíssima no inédito BENS CONFISCADOS, de Carlos Reichenbach); e o hilariante Marcelo Bortotto, muito bem acompanhado da esposa, conversa com o Comodoro.

O elenco do filme se confraterniza, antes da projeção. Destaque para Vanessa Goulart, Michelle Valle, Natália Lorda e os astros Fernando Pavão e Rocco Pitanga (recém premiado em Gramado, por sua atuação em AS FILHAS DO VENTO).

Eis a essência do matriarcado da produção cinematográfica de São Paulo: MARIA IONESCU, SARA SILVEIRA e VAN FRESNOT. A expressão "pode vir quente" da produtora de GAROTAS DO ABC é de meter medo em cineasta principiante, ator arrogante, técnico incompetente e crítico de cinema ressentido. Também estiveram presentes à sessão, embora não apareçam nesta foto, as outras duas leoas da produção de longa metragem bandeirante: ASSUNÇÃO HERNANDES e ZITA CARVALHOSA.

Alessandro Azevedo, o Maleita de GAROTAS DO ABC, mostra a "peixeira" improvisada para o "capitão de fragata" Vebis Junior.

Kiko Molica, do Canal Brasil. entrevista Fernando Pavão.

O "bendito ao fruto" Vebis Junior, abandona a câmera e vira "objeto do desejo" de Márcia de Oliveira e Natália Lorda. O "enviado especial" do Reduto é o proprio Sissi....

Como diria Rogério Sganzerla: Isto é Brasil !!!!! Vanessa Goulart, Michelle Valle e Lina Agifu.

Fora da tela, o contador se deu bem: Eduardo Sofiatti e Michelle Valle.

Vanessa Goulart não aguenta e volta à "incorporar" a personagem Marcinha Zarolha e (novamente) deverá "roubar a cena" em LUCINEIDE FALSA LOURA, o segundo longa metragem da "saga proletária" ABC-CLUBE DEMOCRÁTICO.
Escrito por Carlos Reichenbach às 03h23
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COLUNISMO SOCIAL
GAROTAS DO ABC NO ABC
Flagrantes de VEBIS JUNIOR
Comentários de RAIMUNDA VALLADARES (a Marlene Bergamota do Reduto)

As três salas do Extra Cinemark de São Bernardo foram exíguas para receber os convidados da sessão especial de GAROTAS DO ABC, no dia 23 de agosto, na cidade-personagem do filme. Que se faça justiça: foi a melhor projeção, em termos de qualidade de imagem e som, que a equipe do filme pode assistir até hoje.

O elenco em peso do filme esteve presente à sessão especial para São Bernardo, incluindo a atriz gaúcha Fernanda Carvalho Leite (no meio e no extremo inferior da foto) que deverá ser a protagonista de LUCINEIDE, FALSA LOURA, segundo longa metragem da "saga proletária" de Carlos Reichenbach, à ser rodada em 2005, em Santo André e São Bernardo.

O sr. Lorda, pai da atriz Natália (a Paula Nelson de GAROTAS), veio especialmente da Argentina, onde atua na área do Meio Ambiente para o governo de seu país, para assistir a estréia da filha como uma das protagonistas do longa metragem. Na foto, ele conversa (em castelhano) com Paulo Celestino Filho, Vanessa Alves e o diretor do filme.

Vebis Junior, o nosso capitão-de-fragata oficial, conseguiu reunir novamente os dois atores premiados no Festival de Brasília de 2004, Ênio Gonçalves e Vera Mancini para uma foto com o diretor Reichenbach.

Vebis Junior superou todas as espectativas e realiza a sua obra-prima fotográfica-documental quando voltou à reunir as três operárias-símbolo do filme-piloto do projeto ABC-CLUBE DEMOCRÁTICO: LINA AGIFU, MICHELLE VALLE e VANESSA ALVES.
Escrito por Carlos Reichenbach às 13h16
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