REDUTO DO COMODORO - o Blog de CARLOS REICHENBACH - comodoro@olhoslivres.com
   CATECISMO

OS DEZ MANDAMENTOS

DOS AMIGOS E CULTORES

DE CARLOS REICHENBACH

01 - Assistir, no mínimo, quatro vezes os meus filmes: "Lilian M., Relatório Confidencial", "Império do Desejo", "Filme Demência", "Alma Corsária" e "Garotas do ABC".


02 - Assistir - pelo menos - três vezes: "Amor, Palavra Prostituta",  "Anjos do Arrabalde" e "Dois Córregos".


03 - Ver uma vez e rever por puro prazer: "A Ilha dos Prazeres Proibidos" e "O Paraíso Proibido".


04 - Assistir nem que seja uma vez: "Corrida Em Busca do Amor", "A Rainha do Fliperama" (em "As Safadas"), "Extremos do Prazer" e "Desordem em Progresso" (em "City Life").


05 - Não revelar a ninguém que já assistiu: "Alice" (em "As Libertinas) e "A Badaladíssima dos Trópicos Contra os Picaretas do Sexo" (em "Audácia!").


06 - Jurar de pés juntos que jamais irão assistir "Sede de Amar - Capuzes Negros"!


07 - Visitarem duas vezes por semana o Blog REDUTO DO COMODORO (
http://doiscorregos.blog.uol.com.br/) e passarem - uma vez por mês, pelo menos - no site OLHOS LIVRES (http://www.olhoslivres.com/).


08 - Comparecer religiosamente às SESSÕES DUPLAS DO COMODORO; toda primeira quarta-feira do mes, no CINE SESC, às 21.30.


09 - Cultuar o melhor do cinema de Fritz Lang, Samuel Fuller, Shohei Imamura, Valério Zurlini, Eizo Sugawa, Robert Rossen, Nicholas Ray, Luis Sérgio Person, Nelson Pereira dos Santos, Roberto Santos, José Mojica Marins, Andrea Tonacci, José Carlos Burle, Oswaldo Sampaio, Mario Peixoto, Humberto Mauro, Walter Lima Jr., Haroldo Marinho Barbosa, Arthur Omar, João Callegaro, Damiano Damiani, Carl Th. Dreyer, Jean Luc Godard (até "Week-End"), David Cronemberg, Brian de Palma, Roberto Rosselini, Michelangelo Antonioni, Claude Chabrol, Russ Meyer, Anthony Mann e um vasto etc.


10 - Ler - no mínimo duas vezes - o livro de Marcelo Lyra: "Carlos Reichenbach - O Cinema como Razão de Viver".



 Escrito por Carlos Reichenbach às 16h43
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   NOVIDADES & NOTÍCIAS

ALMANAQUE ROSÁRIO CAETANO NA REDE

 O "Almanaque", inventário semanal de tudo o que acontece de mais importante no cinema nativo, editado artesanalmente pela jornalista Maria do Rosário Caetano e distribuido entre os colegas e amigos generosa e gratuitamente, agora pode ser acessado todo final de mês, através da Web, graças à professora Fátima Feliciano:

http://geocities.yahoo.com.br/rosario_caetano/02


Deu no COLUNAS & NOTAS, de Marcelo Pestana e Carlos Cirne

Humberto Mauro e as imagens do Brasil
A construção da identidade nacional no cinema de Humberto Mauro
 Humberto Mauro deixou sua marca na invenção do cinema brasileiro e em muitas das suas fases de afirmação. O mais brasileiro dos diretores do cinema nacional também foi capaz de criar um vínculo da cultura brasileira com o universal do mesmo modo que o fizeram Heitor Villa-Lobos, na música, Monteiro Lobato e Euclídes da Cunha, na literatura, e Almeida Júnior, na pintura. Com uma pesquisa abrangente e amplo levantamento de informações, Sheila Schvarzman aborda desde os primórdios da obra de Humberto Mauro até o encontro com Adhemar Gonzaga, quando são definidas muitas das matrizes do cinema nacional. Humberto Mauro e as imagens do Brasil mostra ainda a institucionalização deste cinema nos anos 30 e os projetos feitos em conjunto com Roquete-Pinto, as relações com o governo varguista e o trabalho para o Instituto Nacional de Cinema Educativo (Ince).  Além, é claro, de análises tanto de obras consagradas como Descobrimento do Brasil e Argila, quanto dos filmes educativos e oficiais do Ince.Trabalhando tanto com os aspectos técnicos quanto com os simbólicos do cinema, a autora percorre caminhos que nos mostram como a obra de Humberto Mauro contribui para a formulação de uma imagem do Brasil no cinema e na construção de um cinema para o Brasil. Neste sentido, estudar as contradições entre a obra de Humberto Mauro e o contexto histórico onde ela está inserida é também mergulhar no estudo da formação da identidade nacional. A figura de Humberto Mauro, talvez mais do que a de qualquer outro, reflete as possibilidades de um cinema nacional que focalize o seu povo com um olhar brasileiro. Sheila Schvarzman é professora visitante do Departamento de Multimeios do Instituto de Artes da Unicamp e historiadora do Condephaat-SP. Dedica-se ao estudo da relação entre o cinema e a história e da história do cinema brasileiro.

SERVIÇO

Humberto Mauro e as imagens do Brasil  (Unesp - 2004 - 398 páginas)

Autor: Sheila Schvarzman  Preço: R$ 49,00

Os livros da Fundação Editora Unesp podem ser adquiridos pelo site:

http://www.editoraunesp.com.br



 Escrito por Carlos Reichenbach às 04h30
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   NOTÍCIAS & NOVIDADES

A FESTA DO AZOUGUE

E OS NOVOS BLOGS DE ANÁLISE FÍLMICA

 Dois novos e bons Blogs de crítica cinematográfica foram indicados para o Comodoro e já estão fazendo parte dos preferidos do Reduto.

ARKADIN, CINEMA PRA COMEÇO DE CONVERSA

http://mblog.com/arkadin/
 Editado pelo cinéfilo e crítico baiano Julio Gomes.
"Duas ou três coisas sobre "Cazuza - o Tempo não Pára" (Brasil, 2004). Primeiro: o filme precisava mesmo ser tão careta assim? Tá bom, tá bom, é baseado num livro da mãe do cantor/compositor, Lucinha Araújo, interpretada por Marieta Severo. Mas então porque não chamá-lo de "Lucinha - Profissão: mãe de artista porra-louca"? "Cazuza", aliás, acaba sendo um pouco o seu ponto de vista, o retrato de uma mãe lutadora contra o filho genial. Isso mesmo, contra! Por mais que admire o gênio e talento do filho, serão eles - reduzidos tolamente no filme a uma combinação de sexo-drogas e rock'n'roll -quem irão pôr fim à vida e à carreira do artista. A Aids torna-se só uma consequência desse coquetel mortífero.
Segundo: Cartola, quem diria, roubou a cena de Cazuza. Afinal, é do compositor mangueirense o mote principal da história, isso de que "o mundo é um moinho", que tritura "sonhos tão mesquinhos" e reduz as ilusões "a pó". Não que a poesia do protagonista tenha ficado de fora: até pelo contrário; ela é onipresente."

CINECASULOFILIA

http://cinecasulofilia.blogspot.com/
 Editado pelo incansável Marcelo Ikeda, ensaista do site CURTA O CURTA.
"O Matador - Gunfighter, dir, Henry King  - visto no Telecine Classic
Hoje vi O Matador, do Henry King, e realmente é impressionante. O filme tem um postulado ético muito forte e presente ao longo de todo o filme. É um faroeste B que a princípio o diretor teria muito pouca margem de manobra para fazer um trabalho criativo. e assim King opta pela simplicidade, e a decupagem é de uma austeridade muito muito convincente. Tudo é dramaturgia, como o bom e velho cinema americano."


SESC POMPÉIA & SERGIO COHN & AZOUGUE EDITORIAL
convidam todos o leitores do Reduto do Comodoro para o lançamento do livro comemorativo de 10 anos da revista Azougue, com antologias de vários grandes poetas, entre eles o mítico Orlando Parolini, cuja apresentação foi escrita pelo próprio Comodoro..
 O livro "AZOUGUE - 10 ANOS" reune o essencial de autores como:
 a) poesia
Afonso Henriques Neto - Antonio Fernando de Franceschi - Armando Freitas Filho - Celso Luiz Paulini - Claudio Willer - Dora Ferreira da Silva - Fernando Ferreira de Loanda - Gerardo Mello Mourão - Hilda Hilst - Leonardo Fróes - Maria Rita Kehl - Orlando Parolini - Paulo Henriques Britto - Roberto Piva - Rodrigo de Haro - Rubens Rodrigues Torres Filho
b) prosa
Campos de Carvalho - J.J. Veiga - Jorge Mautner - Vicente Franz Cecim
 O evento irá acontecer na CHOPERIA DO SESC POMPÉIA, sexta-feira, 02 de Julho, às 19.30.
 Haverá leitura de poesias com Claudio Willer, Roberto Piva, Rodrigo de Haro, Antonio Fernando de Franceschi  e shows com Garoa, Lincoln Antonio, Ney Mesquita e Juliana, que irão cantar Stela do Patrocínio. O evento traz também a volta espetacular do grupo extremo JARDIM MIRIAM ELETRIC BAND.

 O melhor de tudo: a entrada é gratuita.

SERVIÇO

FIM DE SEMANA CULTO, CURTIDO E DESCOLADO EM SAMPA

 Este será um autêntico fim-de-semana em Marte, com direito ao supra-sumo do bom, bonito e barato udigrudi:
Sexta-feira: A FESTA AZOUGUE, na choperia do SESC Pompéia.
Sábado: PERPÉTUA, de Dionísio Meto, no BOP Pista de Danças (na rua Inácio Pereira da Rocha, 170).
Domingo - Assistir as cópias em vídeo "CONTAMINAÇÃO", de Anthony Hickox e "A INVESTIGAÇÃO", de Damiano Damiani.



 Escrito por Carlos Reichenbach às 00h34
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   OS FILMES DA SESSÃO INAUGURAL

SANTA SANGRE

CANNIBAL HOLOCAUSTO

 



 Escrito por Carlos Reichenbach às 17h49
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   SESSÃO DO COMODORO - Release Para Imprensa

SESSÕES DUPLAS DO COMODORO

 Não, o saudoso cine Comodoro não foi ressuscitado.

 As sessões em questão nasceram da vontade do CineSesc e do cineasta Carlos Reichenbach, através do seu Blog, “Reduto do Comodoro” (http://doiscorregos.blog.uol.com.br/), em recuperar o espírito prospectivo da aventura cinéfila que movia as “Sessões Malditas”, promovidas por Álvaro Moya na década de 70, no extinto Cine Maracha, as “Sessões Especiais” da salinha do Belas Artes, programadas por Bernardo Vorobov, as sessões de meia-noite do Bexiga e, sobretudo, as atuais e concorridas sessões nomeadas de “Raros”, na sala P. F. Gastal, no Centro Cultural Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, programadas por Marcus Mello e Carlos Thomaz Albornoz.

 As Sessões Duplas Do Comodoro irão acontecer sempre nas primeiras quartas-feiras do mês, exibindo sempre dois filmes inéditos comercialmente - ou raríssimas vezes reprisados - em versão original e, normalmente, legendados em inglês.

 As sessões são gratuitas e as senhas devem ser retiradas até meia-hora antes da projeção.

 A sessão inaugural será no dia 07 de julho (quarta-feira) as 21.30 e os filmes a serem exibidos serão:

SANTA SANGRE, de Alejandro Jodorowski

CANIBAL HOLOCAUSTO, de Ruggero Deodato

(ambos com legendas em inglês)

INFORMAÇÕES SOBRE OS FILMES

SANTA SANGRE

Mexico / Itália 1989: Color

118 minutos.

Diretor: Alejandro Jodorowsky

Roteiro: Claudio Argento, Alejandro Jodorowsky e Roberto Leoni

Fotografia: Daniele Nannuzzi

Música: Simon Boswell

Montagem: Mauro Bonanni

Produtor: Claudio Argento

Elenco: Axel Jodorowsky, Sergio Bustamante, Thelma Tixou, Sabrina Dennison, Guy Stockwell e Blanca Guerra

Sinopse:

 Um sádico diretor de circo mutila a esposa depois que ela o flagra com outra mulher. O filho do agressor testemunha tudo e, traumatizado, é internado num manicômio. Anos mais tarde, mãe e filho se reúnem para uma aliança sangrenta e herética.

Comentário:

 Na acepção do termo, um vigoroso “cult-movie”. Alguns críticos o definiram como um filme de terror extraordinariamente raro que transforma o espectador na testemunha impotente do calvário de um mágico de circo enlouquecido. Fellini e Freud dividindo a mesma arena de um circo mambembe. As imagens inusitadas e surrealistas , as cores berrantes, a teatralidade exacerbada – herança das influências do “Teatro Pânico” e da ligação de Jodorowski com Fernando Arrabal – e a busca exasperada de uma estética agressiva e bizarra – onde a cor do sangue é uma constante – fazem de “Santa Sangre” uma experiência emocional que ultrapassa todos os limites da sala de projeção.



 Escrito por Carlos Reichenbach às 01h37
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   Release Para Imprensa - Continuação

CANIBAL HOLOCAUSTO

Itália / 1979 - Eastmancolor

91 minutos

Diretor: Ruggero Deodato

Roteiro: Gianfranco Clerici

Fotografia: Sergio D'Offizi

Montagem: Vincenzo Tomassi

Música: Riz Ortolani

Elenco: Robert Kerman, Francesca Ciardi, Perry Pirkanen, Luca Barbareschi, Salvatore Basile, Ricardo Fuentes e Gabriel Yorke

 Sinopse:

Quatro jovens documentaristas desaparecem na floresta amazônica quando tentavam confirmar e documentar a sobrevivência de uma tribo de índios canibais considerada extinta. Um antropólogo é contratado por canal de televisão americano para ir até Letícia, Colômbia, investigar o desaparecimento dos documentaristas. Depois de passar por vários percalços, o antropólogo descobre o equipamento de filmagem e as latas de filme intactas no meio de um ofertório pagão da tribo canibal. Ele retorna aos Estados Unidos. Após ser revelado o material filmado encontrado, o antropólogo e os executivos da tv descobrem aterrorizados o que aconteceu no meio da selva.

 Comentário

 Recentemente homenageado pela Cinemateca Francesa, Ruggero Deodato, discípulo assumido de Roberto Rosselini, lotou todas as sessões oficiais e extras, reservadas ao filme “Canibal Holocausto”.

 Por vários anos considerado um dos filmes mais ignóbeis da história, tendo sido banido da Austrália, Finlândia, Noruega, Inglaterra e mais vinte países, por causa de suas ultra-realistas cenas de estupro, empalamento, antropofagia e, principalmente, brutalidade explícita com animais, “Canibal Holocausto” acabou sendo alçado, com o tempo, à condição de obra-prima, por sua audácia formal (um terço do filme é dedicada à projeção de copiões mudos que mostram o que aconteceu com os documentaristas) e por mostrar - de forma quase didática - que os verdadeiros selvagens são os brancos. Algumas das seqüências são dignas de antologia: a reprodução do “Massacre de Mai Lai” promovida pelos documentaristas em uma aldeia miserável, a cena em que os brancos devoram uma enorme tartaruga aquática viva ao som da sublime música de Riz Ortolani – e a resposta final dos canibais, com tomadas que mimetizam a perfeição as abomináveis imagens da morte do cinegrafista americano em Saigon.

 Por várias razões, “A Bruxa de Blair” foi considerado um plágio descarado – e não assumido – de “Canibal Holocausto”.

 

SERVIÇO

SESSÃO DUPLA DO  COMODORO – com a exibição dos filmes “Santa Sangre” e “Canibal Holocausto” – ambos com legendas em inglês

Local: CineSesc (rua Augusta, 2.075)

Dia 07 de Julho – Quarta-feira – 21.30

Sessão gratuita – As senhas deverão ser retiradas meia-hora antes da sessão.



 Escrito por Carlos Reichenbach às 01h28
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   REVISTA AGULHA DIVULGOU

MORRE O PRINCIPAL POETA PARAGUAIO

E l v i o   R o m e r o
(Paraguay, 1926-2004)

 Faleceu, no dia 20 de maio, em Buenos Aires, o maior poeta paraguaio atual. Nascido em Yegras, região rural, exilou-se na Argentina durante la ditadura do General Stroessner, tendo trabalhado na editora Losada, e desde 1995 atuava como adido cultural na Embaixada do Paraguai.
 Lutador incansável das causas populares latinoamericanas participou de inúmeros congressos pela integração da América Latina.
 O notável poeta, escritor e jornalista Manuel Ruano assim definiu seu amigo e colega paraguaio: "Su lineamiento lírico, es una evocación constante a lo telúrico, y a lo social. El aspecto rural y los padecimientos del hombre de campo, aparecen ya como estremecimiento ante la idea del mañana o como insulto dramático del presente. La tierra paraguaya de donde procede el poeta, está entrañablemente viva en sus libros. Podría situárselo entre los neorrománticos americanos y los españoles de la generación del 27."
 Romero era muito admirado pelos poetas Pablo Neruda, Nicolás Guillén, Gabriela Mistral, Rafael Alberti e Miguel Angel Asturias.
 Seus livros mais importantes: Días roturados (1948), Resoles áridos (1950), Despiertan las fogatas (1953), Esta guitarra dura (1961), El sol bajo las raíces (1955), De cara al corazón (1961),
Un relámpago herido (1967) , Los innombrables (1970), entre outros.

 
C A S A   C A U T I V A
 
Esta es la casa; es nuestra.
Esta es su música; las exigencias todas
de la vida pasaron por sus habitaciones, por el ascua
quemante de sus fronteras; la locura de quienes emprendieron
una empresa más ancha que sus fuerzas, el sueño
que los fue desgarrando, esa sal escogida
que salpicó las llagas de su vasto martirio.
 
Es nuestra. Aquí resuenan
músicas melancólicas, instrumentos que exaltan
querencias y alegrías. Le pertenecen la quietud antigua
y los hechos sangrientos. Sus ríos, los espejos, recogieron despojos
de injuria y desventura (por eso es esta música); obsedieron
a sus hijos colores de aturdidos relámpagos, sus manos
apresaron los frutos de una infausta cosecha.
Su música es así. Descansa ahora
en un boreal tembladeral de pájaros, de plumas
amarillas, de crucifijos deslavados, rotos. Y es hora
de preguntarse ¿qué trajimos
para ungirla a un estado de habitación del hombre;
se habrá sentido, como cal viva en los ojos, la tribulación
de su destino? ¿Qué tembloroso cántaro
amasamos, qué súplica o trastorno,
qué empeño y asechanza para evitar la herida
de su piel, esa absorta mirada de sus ojos terribles
como una acusación? ¿Habremos, pues, cumplido
con el deber que hiciese merecer habitarla?
 
Es nuestra. Esta es su música. ¿Qué rencores oscuros
le habrán tejido esa circunferencia,
el halo que empurpura sus techumbres? ¿La enemistad
como un osario vano entre sus hijos? ¿El desconsuelo
de las cruces plantadas en su sueño y la obliga
a prosternarse a solas junto a su sombra rota,
a la intemperie, al umbral del orgullo que vela su infortunio?
 
A saco habrán entrado
en ella los Impuros, los cómplices
del ritual del crimen; habrán entrado a saco
con miserables máscaras que engendra la codicia;
habrán marcado un día trágico por sus muros.
trágico de fatalidad, espúreo
como el inicuo cuervo sobre el árbol desierto
en cuya raíz de hueso reposan los desnudos.
Su música es así, una cifra
de dulce acento humano, un anuncio
previo de acusación anudado a la rueda del destino
y al párpado de los muertos, melodía incesante en el desgaste
del desierto cubil, sonido desgajado
de un instrumento oscuro con imagen de reja y cautiverio.
 
Todo saldrá de aquí, de su piedra
y su polvo, de su migaja el pan, de su venero
verde la cosecha, de las estancias tristes la temblorosa noche
de la revelación y los rebeldes;
de aquí la sangre, el fuego, de los cuencos vacíos la mirada
final y salvadora, como un amor que brota
de madrigueras hondas de escarnio y menosprecio.
 
No habrá ya que olvidar decir su nombre
de música y quejumbre, ese nombre de selvas que prohijó
    nacimientos,
muertes, inmolaciones, sea amarga sobre los labios,
del hombre; nombrarla en trance
marcarla a hierro lento en nuestros huesos;
a cada instante repetir su nombre (como triunfo o condena)
mentar esas señales remontadas a tiempos
de arcilla fatigada, de plumajes y tribus destruidas,
nombrarla siempre,
morder su nombre de sol inevitable
(como virtud o pecado), llevar su nombre en la carne
como esta lleva su corrupción, seguir nombrándola
y desvestirla toda con el rebozo intacto
de esa música dulce, inmemorial, desamparada música de un
    anhelo insaciable.

E l v i o   R o m e r o



 Escrito por Carlos Reichenbach às 14h44
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   PREVIEW

EDGAR NAVARRO ESTÁ DE VOLTA

 O crítico André Setaro foi um dos primeiros a assistir a cópia de EU ME LEMBRO (o título de O Ano Passado wm Marienbad, em Portugal), o novíssimo longa metragem de Edgar Navarro (do genial O SUPEROUTRO); vejam o que ele disse:

"É um dos melhores filmes já feitos pelo cinema baiano em todos os tempos. E um exemplo para a cinematografia brasileira."

 Para saber mais sobre este filme inédito, que deve bombar no próximo Festival de Brasília, leia o Setaro´s Blog:

http://www.setaro.blogger.com.br/index.html



 Escrito por Carlos Reichenbach às 03h19
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