| |
RECADO AO AMIGOS E FIÉIS
SUSPENSO POR TEMPO (BEM) DETERMINADO
Meus amigos,
meu HD pediu água!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Acredito que somente no dia 06 de Maio poderei voltar ao emu velho PC e à Web; agora devidamente alimentado por um HD de no mínimo 40 gygas, e com notícias quentes do Festival de Recife, onde estarei recebendo uma homenagem ("honraria", nas palavras do evento) como diretor de filmes.
Até lá, tanto o Blog quanto o site OLHOS LIVRES irão permanecer orfãos.
Em suma, juro que não será nenhuma desfeita ou desatenção deixar perguntas sem respostas ou e-mails não atendidos, durante este período.
Estamos nos aproximando da data de escolha dos novos troféus "Quepes do Comodoro". Na próxima semana gostaria de encontrar sugestões de novos Blogs e sites dedicados ao cinema brasileiro.
Carlos Shintomi, recebi o seu cd e adorei. Gostaria de, futuramente, disponibilizar a faixa "Luia", em MP3, no site OLHOS LIVRES.
Setaro, obrigado pelas suas palavras. Seu Blog é uma preciosidade para quem quer pensar e debater o cinema longe dos elitismos inócuos.
No mais, sorte à todos e até a semana que vem.
Escrito por Carlos Reichenbach às 17h30
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
Para reflexão
A BUSCA DO DUPLO
Ontem assisti ONDE ANDA VOCÊ, talvez o filme mais pessoal de Sergio Rezende - pelo menos, é de todos os que eu assisti, o filme em que ele, finalmente, se dá o direito ao vôo livre. Seqüências como a da AVE MARIA soando em cima das imagens do rio de Terezina, o encontro no deserto com a vestal nua e a caminhada final pela praia do comediante na direção do promontório de seu futuro parceiro e duplo, apontam para uma auspiciosa guinada poética no cinema narrativo e quase didático do diretor.
Uma vez conversando com Rezende sobre LAMARCA, eu não resisti à curiosidade e à ousadia e perguntei porque no momento mais interessante do filme (uma visão da porta da cela sendo aberta milagrosamente, do ponto de vista de homem torturado e amarrado de ponta cabeça num pau-de-arara) ele não fez a câmera voar para fora do recinto num voo imaginário na direção da liberdade. Ele respondeu, com absoluta sinceridade, mais ou menos assim: "Eu não consigo trafegar na subjetividade.".
Quando as luzes do cinema, nos créditos finais de ONDE ANDA VOCÊ (porque esses porras sempre acendem a luz no começo dos letreiros finais - eu acho isso, um puta desrespeito aos que fazem o filme e aos pesquisadores que o assistem; alguém ainda se lembra de Michel do Espírito Santo, o pesquisador que via os filmes quatro ou cinco vezes só para anotar os nomes que constavam nos letreiros finais?) se acenderam, eu confesso que sai meio decepcionado com o desfecho; frustrante, depois do magnífico encontro do protagonista Felício com Boca Pura, o parceiro que tanto buscava.
É curioso, mas o duelo que se estabelece entre os ótimos dois atores (Juca de Oliveira e Aramis Trindade) pode ser enxergado com uma metáfora do cinema de Rezende. Juca é um intérprete exuberante de formação sólida, que manipula à perfeição todo o arsenal apreendido em seus vários anos de teatro. Juca é o ator que raramente se permite o direito da entonação ou da expressão mínima; e às vezes, isso faz falta... Aramis Trindade, ao contrário, é um furacão instintivo que em nenhum momento se exime da experimentação e da ousadia. Os dois dão um show contracenando juntos, mas Aramis traz algo de excepcional na sua performance. De certa maneira, ele lembra as intervenções geniais de Jorge Loredo nos filmes de Rogério Sganzerla; na sua coragem de se expor ao patético até as últimas conseqüências. O mais auspicioso do duelo é que a interpretação quase "cartesiana" de Juca de Oliveira é um tapete para a performance de Aramis Trindade. Duas gerações de atores e escolas de interpretação que dialogam através das suas diferenças. No entanto, é na partida de Boca Pura, a voz travestida, que o filme atinge o sublime. Um momento de pura magia que aguça a nossa curiosidade em relação aos futuros filmes de Rezende.

Não trouxe minha opinião sobre ONDE ANDA VOCÊ para este espaço com o intúito de um curto exercício crítico, porque é complicado falar dos filmes de alguns colegas, mas para suscitar uma reflexão que considero pertinente: alguém ja se deu conta das semelhanças existentes em alguns filmes recentes como: 'HARMADA", de Maurice Capovilla, "ONDE ANDA VOCÊ", de Sergio Rezende, "APOLONIO BRASIL", de Hugo Carvana e, embora eu não tenha assistido, o último filme de Carlos Diegues?
Escrito por Carlos Reichenbach às 02h26
[]
[envie esta mensagem]
|
|