NOVO SITE - OBRIGATÓRIO - BRASILEIRO DE CINEMA
O cineclubismo brasileiro está de parabéns. Felipe Macedo (quem é vivo sempre aparece!) acaba de colocar na Web um espaço muito especial de discussão militante e cinéfila.
A formiguinha veio com tudo; olha ela aí:

http://www.utopia.com.br/cineclube/
Segue abaixo texto do Felipe Macedo apresentando CINECLUBE, o site da formiguinha.
Cineclube, hóspede da Utopia
Instituições podem servir para vários fins. Algumas têm suas funções desvirtuadas para oprimir, excluir, manter privilégios. Mas outras nascem muito ligadas às lutas democráticas e populares, parecem ter uma vocação muito clara de compromisso com as maiorias e com a transformação. Com o Povo e o Novo, como dizia o Aloísio Leite. Como sindicatos, cooperativas… e cineclubes. Mas não esqueçam, ninguém é perfeito
No final do "breve século XX", isto é, nos anos 90, marcados pelo fim do sistema soviético e o recrudescimento da planetarização do capitalismo, os cineclubes também sofreram um enorme refluxo em todo o mundo, a ponto de praticamente desaparecerem. No Brasil, que tinha um dos mais originais e vigorosos movimentos de cineclubes do Mundo, não foi diferente. Com em outros momentos – bem diferentes – da história do movimento cineclubista, restou apenas um ou outro cineclube fragilizado, lutando desesperadamente para sobreviver, ali onde havia centenas de entidades, organismos estaduais, uma organização nacional.
Embora os cineclubes, via de regra, sejam praticamente ignorados pelas instituições ligadas ao conhecimento e à informação, como as universidades, a imprensa, etc, creio que contribuição que deram até então para o cinema, a cultura e a democracia no Brasil já era suficiente para justificar pelo menos um sitiozinho como este aqui. Um minifúndio no enorme campo da cultura cibernética, cultivando um pouco de memória, plantando umas dúvidas, esperando o fim dessa seca braba que um dia, certamente, vai chegar.
Mas a realização de uma nova Jornada de Cineclubes, em Brasília, no final de 2003 (14 anos depois da última), mostrou que há mais que uns poucos cineclubes isolados perdidos pelo País. Mostrou que tem gente cineclubando de norte a sul do Brasil, com velhas e novas ferramentas, criando, agitando, incomodando, transformando. E, aparentemente, querendo se unir, se organizar, pesar na balança do Cinema e do País. Por isso, também – e sobretudo – esse sítio talvez possa trazer suas abobrinhas para o mercado de experiências que voltam a ser trocadas entre os cineclubes brasileiros.
Espero que esta iniciativa possa ser útil para os militantes do cineclubismo e para outros interessados no assunto. Mas não se trata de um sítio de prestação de serviços, é um espaço de debate de idéias e propostas, aberto por convicção, mas ancorado numa visão precisa do cineclubismo: como instrumento fundamental de mudança da relação do público com o cinema, de transformação do próprio cinema, da cultura e da sociedade.
Quero agradecer pela generosa acolhida aos responsáveis por este provedor de nome tão significativo. Ao Carlos Seabra, velho companheiro, e muito particularmente à Zezé Pina, cujos conhecimentos informáticos e performáticos tornam possível manipular esse hiperespaço, pra mim tão cheio de mistérios. Sem a Deisy Velten também, que contribui com a revisão do português, a crítica do brasileiro (eu mesmo) e com algumas traduções, este sítio fechava antes de abrir a porteira. Aliás, a contribuição deles sempre foi fundamental para que os cineclubes continuem a ocupar seu espaço na Utopia.
Vou procurar reunir aqui documentos que o movimento cineclubista produziu ao longo da sua história e textos de vários autores, cineclubistas principalmente, mas não apenas, inclusive meus, principalmente no início. A seção cineclube traz textos procurando debater e situar o conceito de cineclube. Na rubrica movimento estarão avaliações do movimento cineclubista e da sua situação em diferentes períodos históricos. O tópico debate, sobre temas atuais do cineclubismo brasileiro, é um espaço para a polêmica e a crítica constante e produtiva da atuação dos cineclubes e de suas organizações no momento atual. Além disso há uma cronologia do cineclubismo brasileiro, para lembrar rápida e esquematicamente a evolução histórica do cineclubismo em nosso país nos últimos 90 anos; uma seção reproduzindo documentos e textos do cineclubismo brasileiro, isto é, de suas entidades; um espaço para os inesquecíveis, que espero se torne uma galeria de retratos de grandes cineclubes do passado e do presente; uma parte dedicada a cartas que eventualmente comentem o sítio ou outros assuntos cineclubistas e, é claro, links na internet, para outras plagas que possam interessar os visitantes que por aqui passarem.
Felipe Macedo